PERIPÉCIAS DE UMA MENTE INSANA

Eu sei que esse é só mais blog, dentre milhares que existem por aí. Com certeza ele não é o mais interessante, muito menos o mais bem feito e bem escrito. Eu sei também que ele é escrito por uma pessoa comum, como milhões que estão espalhadas nesse planeta. Sinceramente, não vejo nenhum motivo forte que possa convencê-lo a ler esse blog. Talvez quando eu descobrir, eu te conto.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

.

Era uma tarde de setembro, quando as árvores estão no auge do seu explendor e a época é propícia para flertes. Nada foi premeditado, mas as diversas afinidades já haviam aflorado, se mostrando fortes e presentes em cada troca de olhar. O coração dava sinais de descompasso. As palavras eram milimetricamente escolhidas, afim de que se encaixassem de maneira perfeita, esforçando-se para manter o ritmo e a sintonia daquele momento. Por mais que a ansiedade tentasse prevalecer, era preciso que um certo 'desprezo' disfarçado ficasse evidente, afinal, aquele encontro era apenas uma simples troca de quadrinhos, ou quem sabe início de uma suposta amizade.

No entanto, um único momento mudou os rumos do que poderia ter significado aquela tarde. O rapaz que vestia a camisa do Lanterna Verde e possuía os olhos mais lindos que eu havia contemplado até então, trazia consigo muito mais do que os meus gibis preferidos. Trazia um magnetismo e uma intensidade que eu jamais tinha sentido, além de uma porção de histórias legais.

E de repente, uma frase transformou definitivamente as minhas primeiras intenções. Ao confessar que um dos primeiros livros que recordava-se de ter lido, fora "O Menino do Dedo Verde", a atmosfera ao meu redor mudou de cor. Foi nesse exato instante que me dei conta: eu já estava envolvida, nutrindo-me da sua presença, completando minha alma com tudo que ele falava. Sem perceber, caíra nas garras do tigre, e tive certeza que apaixonar-me por aquele homem fascinante seria apenas questão de tempo.

.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Aqui meu irmão, ela é coisa rara de ver, é jóia do Xá, retina de um mar,

de olhar verde, já derramante abriu-se Sézamo em mim.

Ah! meu irmão, aqualouca tara que tem ímã, mergulha no ar, me arrasta

me atrai pro fundo do oceano que dá, prá lá de babá prá cá de ali.

Pedra que lasca seu brilho e que queima no lábio um quilate de mel,

e que deixa na boca melante, um gosto de língua no céu.

Luz, talismã, misterioso cubanacã, delícia sensual de maçã, saborosa manhã...

Vou te eleger, vou me despejar de prazer, essa noite o que mais quero é ser mil e um pra você.



João Bosco - Jade.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ninguém entende a gente. Eu mesma, ao olhar para trás, custo a perceber como cheguei até aqui. São tantas as afinidades, e tão intransponíveis as barreiras que acercam o nosso amor. Chego a pensar que não irei conseguir, que é preferível abrir mão da ideologia que se tornou a nossa história, que não faz sentido aguardar tanto tempo pra ter algumas horas do teu lado.

É nesse momento que eu percebo o quão me faz bem te esperar. Como me enche de vida enfrentar os desafios que nascem diante dos meus olhos. Esforço-me durante todos os minutos que estamos longe, pra convencer-me de que é impossível estagnar, e passo os dias imaginando como farei pra ir até o fim receber minha recompensa. E digo mais, não é preciso que me fales dela, pois ao fechar os olhos e imaginar a tua pele, minha alma se enche com a tua ausência, como se o vazio de ti fosse o suficiente pra me preencher e me recompensar. Ainda que eu não compreenda o que verdadeiramente me une a ti, decido me agarrar na esperança que me transmites, na certeza que emana das tuas palavras, ao afirmar que não estou sozinha.

Contigo desejo apenas viver. A vida inteira que temos juntos pela frente.


J&T
Ela me disse que trabalha no correio
e que namora um menino eletricista.
Estou pensando em casamento mas não quero me casar.
Quem modelou teu rosto?
Quem viu a tua alma entrando?
Quem viu a tua alma entrar?
Será que você vai saber o quanto penso em você
com o meu coração?

Quem está agora ao teu lado?
Quem para sempre está?
Quem para sempre estará?
Ela me disse que trabalha no correio
e que namora um menino eletricista
as famílias se conhecem bem e são amigas nesta vida.
A gente quer é um lugar pra gente
a gente quer é de papel passado
com festa, bolo e brigadeiro
a gente quer um canto sossegado
a gente quer um canto de sossego.
Estou pensando em casamento mas ainda não posso me casar.
Sou rapaz direito, fui escolhido pela menina mais bonita.

sábado, 26 de dezembro de 2009

.


Preciso deixar que as lágrimas rolem, até que a última delas seja expulsa, e que junto carreguem os meus piores pesadelos. É tão difícil desfazer-me delas de maneira definitiva, pois parecem se multiplicar a todo instante! Não fazem nenhuma cerimônia, vêm à tona nas situações mais inusitadas e não importam-se com o estrago que causam. Apenas escorrem, pesadas, tentando apaziguar um coração turbulento e desatar os nós que se acumulam na alma. Se acaso alimento-as, é com a esperança de que me deixem em paz.



.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Final de semestre, um dez e um teste de Q.I.

Nunca imaginei que a conclusão de um semestre fosse tão tumultuada. Dezenas de provas, centenas de trabalhos e uma infinidade de trocas de horários e datas fizeram do meu primeiro semestre (ai, ai o primeiro a gente nunca esquece!) um verdadeiro campo de batalha. Como não poderia deixar de ser, eu como boa taurina, entrei na guerra pra vencer. E apesar de tanto perrengue, cá estou eu, quase alforriada, ganhando minha anistia tão merecida, podendo colher os frutos do meu esforço... - aff, clichezão master!

Uma das maiores "bad master" desses últimos dias, foi a prova do Enem. Realizado em todo o Brasil, o exame contava com 180 (mel deus) questões objetivas e uma redação, divididos em dois dias, com um total de
4 horas e meia para responder as 90 questões em cada dia. Depois de todas as confusões, como o vazamento da primeira prova e os locais absurdos de prova para os candidatos, o Enem finalmente foi efetuado, sem entusiasmo por parte dos estudantes, e com muitas dúvidas levantadas pelos avaliadores. Foi massante destrinchar aquelas provas, fosse pela capciosidade das perguntas, fosse pela falta de tempo para ler introduções desnecessárias, repletas de dubiosidades que só serviam para confundir o candidato e acabar com a sua paciência.

Os testes de Q.I. surgiram nos Estados Unidos, em uma das épocas mais obscuras da História mundial. Os americanos não poupavam esforços para que apenas uma raça nórdica pura dominasse. Qualquer pessoa considerada fora dos paramêtros por eles estipulados, era dita como débl mental e incapaz, fosse por alguma real deficiência ou apenas uma posição social inferior. Era a chamada Eugenia, que discriminava os mais fracos, impondo-lhes esterilizações forçadas, eutanásia, e mais tarde na Alemanha, as câmaras de gás. Os testes de Q.I. eram realizados pelos comitês eugenistas americanos, para avaliar as condições reais dos intitulados "morons" (expressão para fraco, degenerado, retardado), e dar-lhes a sentença de acordo com seu "grau de inteligência". Porém, os testes tratavam-se apenas de uma maneira racista de excluir os pobres, estrangeiros, deficientes, o chamado "lixo branco", que para os eugenistas não mereciam viver e se reproduzir. Com perguntas fracas, cujo conteúdo em nada correspondia uma avaliação coerente de conhecimento, os testes levavam em consideração tópicos que eram facilmente resolvidos pelos mais abastados, mas que em nada correspondiam com a realidade dos perseguidos. Abordavam temas excludentes, como quem eram os mais famosos artistas da Broadway, as marcas de farinha de trigo mais populares, personagens de anúncios de cigarros, pistas de boliche e outros tantos absurdos.


...qualquer comparação entre o exame do Enem e os antigos testes de Q.I. são mera coincidência.
Será que eu estou tão obcecada pelo tema da Eugenia, que vejo correlações em tudo? oO

  • Finalmente chegou a hora de revelar o que realmente me motivou a escrever esse post, que com toda a certeza deve estar uma porcaria, cansativo pacas e sem fundamento nenhum, a não ser o da minha cachola cheia de minhocas...
Esse ano tive muitas supresas boas, e uma delas foi um mestre que cruzou o meu caminho. Além de excelente professor, se demonstrou uma pessoa excepcional, que merece a minha gratidão e os meus parabéns. Suas aulas foram ministradas de maneira envolvente e impecável, uma verdadeira viagem no conhecimento de um homem que realmente sabe das coisas. Juro que não estou aqui me rasgando em elogios apenas porque ele me deu nota dez no trabalho final :P (hehe) mas sim porque aprendi muitas coisas, e em pouco tempo, mudei uns tantos conceitos que me acompanhavam. Admiro muito quem consegue me fazer refletir e mudar de ideia. :D

Fica a dica de um dos livros mais incríveis que eu já li, e que me proporcionou, além da nota máxima, um aprendizado que jamais me abandonará: "A guerra contra os fracos" de Edwin Black. Quem gosta de História e grandes leituras (o livro tem quase 800 páginas!), não pode deixar de apreciar essa obra envolvente e muito bem acabada. Recomendo mais do que massagem de tigre em dia de prova do Enem! :S


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Carrego uma luz dentro do meu coração. Essa luz me acompanha desde que passei a ter a noção de que meu corpo possui uma alma, e que os dois são uma coisa só. Por muitas vezes, manteve-se estável, num brilho constante e tímido. Esses momentos foram maioria na minha jornada até aqui. Pode ser que não tenha sido a luz ideal, porém o simples fato de saber que ela estava lá, iluminando vagarosamente o meu peito e os meus dias, me deixa plenamente satisfeita.

Em diversas situações, a luz apagou-se. Foram momentos muito difíceis, onde eu tive que procurá-la em qualquer lugar que fosse, menos dentro de mim. Não pude contar com aquele brilho simples e certo, ao qual já havia me acustumado. Mesmo assim, a ausência da luz me fortaleceu. Contribuiu para a formação da minha personalidade, do meu caráter e para que se fixassem todas as nuances que compõem o meu "eu".

Ultimamente, a felicidade me ocupa, pois tenho sentido ainda mais a presença da minha luz. O que por tempos permaneceu quietinha, hoje intensifica minha alegria de viver. Passo os dias maravilhada com o seu brilho, que está renovado e ofuscante. Está tão exuberante, que por vezes parece querer queimar, numa ânsia desesperada de se libertar para viver plenamente e atingir o êxtase da intensidade. Minha luz agora não está só no coração. Espalha-se por todo o corpo, tentando escapar pelos dedos. Tomando forma e adquirindo vida própria.

Mesmo sem procurar, minha luz me dá a certeza que eu encontrei. Os olhos inexplicavelmente magnéticos, que nem em sonhos imaginei, hoje me fitam fascinados, emoldurando a cara de bobo mais linda que eu já vi.

J&T