PERIPÉCIAS DE UMA MENTE INSANA

Eu sei que esse é só mais blog, dentre milhares que existem por aí. Com certeza ele não é o mais interessante, muito menos o mais bem feito e bem escrito. Eu sei também que ele é escrito por uma pessoa comum, como milhões que estão espalhadas nesse planeta. Sinceramente, não vejo nenhum motivo forte que possa convencê-lo a ler esse blog. Talvez quando eu descobrir, eu te conto.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Preciosidade Literária: O Dia do Curinga, de Jostein Gaarder

   Provavelmente, você já deve ter ouvido falar da obra prima mais conhecida do escritor Jostein Gaarder: "O Mundo do Sofia". Em caso negativo, ainda tem tempo de aprofundar-se no mundo da filosofia, da forma mais simples e deliciosa possível.
   A primeira vez que tive o prazer de viajar no mundo de Sofia, fiquei simplesmente deslumbrada. Eu tinha 14 anos e uma veia leitora mais pulsante impossível. Eu fazia teatro nessa época e achava-me capaz de realizar todos os sonhos do mundo.



     "...Ele apontou, então, para todos aqueles turistas que saíam aos montes do ônibus estacionados lá embaixo, perto da entrada, e subiam como formigas pelo terreno acidentado onde estavam as ruínas do templo.
- Se no meio de todas essas pessoas houver apenas uma que se surpreenda com a vida a cada instante e tenha a sensação, toda vez que isso acontece, de estar diante de algo fabuloso e enigmático... - Respirou fundo e prosseguiu: - Você está vendo um monte de gente lá embaixo, não está, Hans-Thomas? Pois bem... se apenas uma delas experimentar a vida como uma aventura fantástica... e se ele ou ela experimentar essa sensação, todos os dias...
- Sim? - perguntei ansioso, pois pela segunda vez ele não tinha completado o que queria dizer.
- Ele ou ela será um curinga no baralho.
...
- Toda a manhã acordo com um estalo. É como se a cada manhã alguma coisa me lembrasse e que estou vivo, de que sou um ser vivo vivendo uma ventura fantástica. Pois, afinal de contas, quem somos nós Hans-Thomas? Será que você pode me responder? Somos feitos de uma pequena porção de poeira estelar. Mas o que significa isso? De onde vem esse mundo, afinal?
- Não faço a menor ideia - respondi, e me senti tão por fora nesse momento quanto Sócrates.
- E de vez em quando esse pensamento me vem à cabeça, sem marcar hora, bem no meio da noite. Sou uma pessoa e só vou viver essa única vez, penso. E depois nunca mais vou voltar. " 


   O Dia do Curinga é muito mais que uma obra de iniciação à filosofia. Explora, originalmente, a percepção e a capacidade de reflexão do leitor, que percebe-se totalmente absorto a cada capítulo. O foco principal da história é o garoto Hans-Thomas e o seu pai, que partem para Atenas na busca da mãe de Hans, que os abandonara há oito anos para encontrar a si mesma. Como uma boa obra de ficção, paralelamente, diversas situações se desenrolam. Durante a viagem, o menino encontra um padeiro, uma lupa, um livro minúsculo com letrinhas miúdas e um anão suspeito que os segue em todos os lugares. No livrinho, Hans testemunha uma história  que considera verídica, sobre uma ilha encantada onde viviam cartas de baralho - cada qual com a sua função - e que acaba transformada quando nela chega o Curinga, que "se infiltra na ilha como uma cobra venenosa". Havia também o Mestre da ilha, que planejara e construíra tudo e a bebida púrpura, que aguça a inteligência e a perspicácia de quem a ingere e com o tempo, retarda o fluxo do pensamento e faz perder o senso de direção.
   Enquanto as indagações acerca do misterioso livrinho surgem na cabeça do menino, suas conversas com o seu pai se tornam cada vez mais densas e interessantes. O pai de Hans-Thomas é um filósofo desempregado, que enxerga a vida de maneira singular e apaixonante e procura um novo sentido para tudo que existe no Universo.

"...Depois de uma pequena palestra sobre as cruzadas e os cruzados, meu pai disse:
- Você sabe que eu me interesso pelo universo, não sabe, Hans-Thomas? Interesso-me por planetas, principalmente por planetas vivos.
    Não respondi. Nós dois sabíamos que aquele era um tema pelo qual ele se interessava muito. Não obtendo resposta, ele prossegui:
- Você sabia que acabaram de descobrir um planeta cheio de mistérios, habitado por alguns milhões de seres inteligentes, que andam sobre duas pernas e vêem o seu planeta usando duas lentes vivas?
    Tive que admitir que aquilo era novidade pra mim.
- Esse pequeno planeta é unido por uma complicada rede de vias, onde esses sujeitos inteligentes se locomovem em máquinas coloridas.
- É mesmo?
- Yes, sir! E sabe que os misteriosos habitantes desse planeta chegaram mesmo a construir edifícios enormes, alguns com mais de cem andares? E que por baixo desses prédios escavaram longos túneis por onde máquinas elétricas correm sobre trilhos?
- Você tem certeza? Mas como eu nunca ouvi falar desse planeta?
- Bem - explicou meu pai - Em primeiro lugar porque ele foi descoberto recentemente; e em segundo, porque temo que ninguém além de mim o conheça.
- Onde fica esse planeta?
- Aqui mesmo! - disse ele, e bateu com a mão no painel de instrumentos do carro. - Este é o planeta misterioso, Hans-Thomas. E nós somos dois desses sujeitos inteligentes; dois sujeitos que, neste exato momento, estão rodando pelas estradas da vida num Fiat vermelho!
    Por alguns segundos fiquei amuado por ele ter me pregado uma peça. Entendi, então, que só estava tentando me dizer o quanto é incrivel este mundo em que vivemos. E o perdoei imediatamente."


   Entre enigmas e visitas às moradas de antigos pensadores filosóficos, Hans-Tomas e seu pai dão uma oportunidade  única ao leitor: a de refletir sobre o verdadeiro significado da vida e de todos os mistérios nela inseridos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

  Naquela tarde, a menina que tinha todas as vontades do mundo foi arrebatadoramente surpreendida. Realmente, acreditava ser impossível impressionar alguém como ele. Ficou nervosa. Falou um monte de besteiras, e mesmo assim ele riu. Foi como se levasse um choque ao tocar a ponta dos seus dedos, sem querer. Estremeceu, quando de leve encostaram o braço um no outro.
   O mais mágico foi ter sido cortejada, assim, quase sem querer, depois de tanto tempo no anonimato. A insegurança amarga e intrínseca, companheira por toda a vida, deu lugar àquela sensação indescritível que a fez sentir viva novamente. Alimento essencial para a alma, sedução silenciosa e tênue, como se não houvesse pretensão de se tornar real. Afinal, se pudesse, se entregava e agia sem pensar.
   A medida de tempo desapareceu -como sempre acontecia em ocasiões com essa, estava se divertindo, afinal- e o estômago queimou como um rastro de pólvora. Na despedida, dois corações apertados pela sensação do proibido e dois corpos afoitos, na ânsia de desbravar a boca alheia e sentir o gosto do beijo que nunca aconteceu. Cresceu rápido e, monstruosamente, virou a química perfeita, como se a felicidade dependesse daqueles breves instantes de conquista. Desejou mais do que tudo ser invisível, apenas mais uma na multidão, sem ninguém pra explicar o que não tinha explicação. Sem vínculos, sem amanhã, sem antes, apenas estar ali e se deixar levar por aquele toque inebriante, por aquele perfume suave e sincero, por aquele sentimento novo que virou a sua cabeça em poucos instantes.
   Um demorado beijo no rosto, a mão na cintura e o adeus. Até quando? Impossível saber, pois a única certeza que tinha era uma vontade extasiante, que a acompanhou na volta pra casa.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

  

  Olhava-me de maneira hipnotizante enquanto eu tentava desviar o olhar, sem sucesso. Nossos corpos pareciam barras de ferro imantadas, resistindo bravamente a uma atração avassaladora, que nenhuma lei da física jamais descreveu. Minhas mãos permaneciam frias e o meu coração nem ao menos recordava-se do que estava acontecendo. Batia tão rápido que era possível escutá-lo a quilômetros, aos tropeços e solavancos, queimando e derretendo ao mesmo tempo.
   Os 13 centímetros que nos separavam ora pareciam uma sólida parede de concreto, ora confundiam-se com uma intrigante vontade de chegar mais perto. Mesmo que parecesse errado estar ali, uma atmosfera de magia e sedução inflava-se a qualquer sinal de movimento. 652 palavras foram ditas, 37 minutos transcorreram e uma infinidade de sensações afloraram. Quando quis evitar seus olhos pela última vez, fui surpreendida com uma frase que me deixou desesperadamente atônita:

   -Você é apaixonante - ele me disse.

   Fui embora sem olhar pra trás, com lágrimas brotando do meu coração inseguro.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Estereótipo x Essência

passarinho doidão
    Tentar determinar um padrão de vida correto, numa sociedade tão heterogênea como a nossa, é como dar um tiro no escuro: não há como ter certeza onde ele irá acertar. No entanto, é impossível resignar-se alheio às influências externas, visto que são elas as maiores colaboradoras para a formação da personalidade.

diga não às drogas oO
   Vista-se com a saia de rendas vintage e amarelada da sua mãe, um suéter xadrez ou uma galocha com estampa de zebra (sim, eu tenho uma!) e prepare-se para receber, além de olhares de reprovação, cochichos maldosos de quem cruzar o seu caminho. E olha que nem precisa caminhar muito. A sociedade vive de aparências, e nós buscamos, incessantemente, por aceitação. Mais do que participar de um grupo ou até mesmo uma sociedade anônima, a aprovação permite uma convivência harmoniosa, além de uma considerável melhora na autoestima. Raros são aqueles que não desejam ser queridos e necessários em seu grupo de convívio, e para que isso aconteça, é necessário que corresponda às expectativas do núcleo que tanto estima participar.
queria mesmo era uma galocha da xuxa!

  Sendo a permissa de ser aceito quase vital ao ser humano, o contrário disso pode ter resultado catastrófico. Tentar seguir um modelo de vida estipulado por terceiros pode acarretar distúrbios psíquicos e emocionais em quem não consegue enquadra-se no padrão ditado pela maioria. Estereótipos possuem forte tendência ao preconceito, que podemos constatar nas diferentes classes sociais. Os menos favorecidos não são copiados por quem está ao redor , ao contrário da elite da população, que define a melhor e mais aceitável maneira de viver. Quem tenta livrar-se dessas formas préestabelecidas de vida opta por quebrar as regras na busca por modificação. Essa não precisa ser sinônimo de anarquia ou infração, mas um desejo sincero de romper a hipocrisia. São pessoas que expõem desejos adormecidos, que a maioria tenta esconder.

pensando bem, o rico eu até aceitava! :D
   Sem verdade, não há História. Logo, a superficialidade além de não trazer os benefícios tão almejados, tende a amargurar corações, frustrando e bloqueando o sub-consciente diante de certas situações. Infelizmente, não há como seguir um modelo que pareça ser o correto, pois o mesmo não existe. A felicidade consiste em ser fiel à própria essência e ter coragem para transgredir sempre que sentir vontade. Seja sincero com você mesmo.
haha a ju tem celuliiiteee lero lero :P

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Iniciativa do site Clic RBS - Seção Bicharada

Deparei-me ao acaso com uma iniciativa simples e que deveria levar uma menção honrosa no quesito solidariedade: trata-se de uma seção no site do Clic RBS que se chama "Bicharada". A intenção é divulgar animais abandonados que precisam de um lar, e porquê não, refrescar a memória das pessoas que há muito esqueceram-se do que é amor incondicional.

A ideia é simples, uma espécie de classificados de animais de utilidade pública, onde se pode encontrar cãezinhos carentes com aquela carinha de dar dó, gatinhos manhosos que foram maltratados, filhotes que passaram por apuros e são isentos de qualquer culpa. Além disso, o site também divulga instituições que cuidam dos bichinhos e lhes providenciam o que for preciso, e que qualquer um pode ajudar sem sair de casa, com uma contribuição simbólica. Informações de animais desaparecidos também são divulgadas. fazendo o possível para que os animais se reencontrem com seus donos.

Como no nosso estado não existem políticas públicas de castração de animais de rua, e os canis municipais estão sempre super-lotados, é DEVER de todos nós auxiliar nesta causa. Não posso exigir que as pessoas tenham compaixão dos animais, visto que isso é negado aos próprios seres humanos, mas posso fazer a minha parte, divulgando e parabenizando iniciativas como essa que reforçam a minha crença na humanidade.

ACESSE O SITE AQUI!


FAÇA A SUA PARTE COMO SER PENSANTE! ADOTE UM ANIMAL ABANDONADO! DIVULGUE ESSA INICIATIVA!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Simpósio sobre Terapias Inovadoras HCPA

Tô postando num intervalinho da minha aula, rapidamente, para divulgar o evento que começou ontem no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e que vai até o dia 19 deste mês. Trata-se de um Simpósio de Terapias Inovadoras, que conta com a presença de ilustres doutores de diversas áreas da saúde e da pesquisa.

Promovido pela Centro de Terapia Gênica do Hospital, o evento tem o objetivo de atualizar a comunidade acadêmica e os profissionais. Ontem, dia 17, foram tratados temas de suma importância e bastante polêmicos, como a apresentação esclarecedora da Bioengenharia de Tecidos, com o Dr. Luismar Porto da UFSC e o Uso da Nanotecnologia para o desenvolvimento de Fármacos, com a Dra. Sílvia Guterres da UFRGS.

No dia 18 serão abordados os seguintes temas: Terapia Celular em doenças hepáticas pela Dra. Themis Reverbel, Terapias Celulares em doenças genéticas pela Dra. Ida Schwartz, ambas do HCPA e da UFGRS e Vacinas Recombinantes pelo Dr. Fabrício Rochedo Comceição, da UFPEL.

No dia 19, é a vez da Dra. Lúcia M. R. Silla palestrar sobre Terapia Celular em doenças hematológicas, a Dra. Nance Beyer Nardi falar de Aplicações Terapêuticas para células tronco e, por fim, o tema Terapias Inovadoras em doenças psiquiátricas será tratado por Gabriel R. Fries do PPG/Bioq da UFRGS.

Segue abaixo a divulgação feita pelo CTG do Hospital:

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Preciosidade literária: MAUS de Art Spiegelman


 "Amigos? Seus amigos? Se trancar eles em um quarto sem comida por uma semana...aí vai ver o que é amigo!"

 Recentemente, fui apresentada à uma obra prima que pra mim reúne aspectos essencias: boa história, releitura da realidade e pitadas de humor inteligente. São esses três ingredientes que fazem de MAUS  um livro inesquecível, que retrata a dura realidade vivida pelos judeus durante o Holocausto de uma maneira delicada, intrigante e sensível, tocando fundo o coração até dos menos enternecidos.




Em uma narrativa direta e irreverente, Art Spiegelman relata a experiência vivida por seu pai, Vladek, em Auschwitz durante o Holocausto. Um relato duro e comovente, recheado de sentimentalismo e emoção e generosas doses de bom humor. E o melhor de tudo isso, especialmente pra mim, é o fato de a obra ser toda escrita no formato de quadrinhos! Uma verdadeira delícia, que não poderia ter sido feita de outra forma.



MAUS  é desenrolado em diálogos diretos entre pai e filho, entre o presente de Art como escritor de quadrinhos e seu desejo em relatar a história de Vladek e imensos flash backs com narrativas impressionantes e profundas, de uma época que a maioria gostaria de esquecer. Repleto de ação, fugas quase impossíveis, encarceramento, sofrimento e também de muito amor, MAUS descreve os fantasmas do Holocausto e toda a trajetória de horror que Vladek e sua família viveram. A maioria das histórias relatadas são tão tocantes que parecem irreais, à respeito da sobrevivência do pai do autor.

Descrevendo detalhadamente as atrocidades cometidas pelos nazistas nos campos de concentração, os relatos da frieza durante o extermínio racionalizado dos judeus são impressionantes. O objetivo principal do Holocausto era exterminar o maior número de pessoas, com o menor custo e em pouco tempo. Vladek e sua família tentavam de todas as maneiras burlar as leis nazistas e salvar as próprias peles. O resultado foi a perda quase total da família, porém um amor puro e sincero sobreviveu à crueldade dos acontecimentos, e  no final é relatado, o encontro de Anja (mãe de Art) com seu marido Vladek, depois de anos separados e sobrevivendo aos mais variados tormentos.

O livro ganhou o PRÊMIO ESPECIAL PULITZER em 1992. Esse prêmio reconhece pessoas que realizem trabalhos de excelência na área do jornalismo, literatura e música.

Gostaria muito de conseguir descrever com exatidão o conteúdo esplêndido dessa obra, mas me vejo pobre em adjetivos que possam expressar o que eu senti quando a tive em minhas mãos. Posso afirmar que ri, chorei, me emocionei demais e realmente fui envolvida num misto de indiganação e valorização da real História Mundial. SUPER RECOMENDADO!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Da nova série... Música da Semana

Espere por mim, morena, espere que eu chego já
O amor por você, morena, faz a saudade me apressar.

Tire um sono na rede

Deixa a porta encostada
Que o vento da madrugada já me leva pra você.

E antes de acontecer o Sol

A barra vir quebrar
Estarei nos teus braços para nunca mais voar.

E nas noites de frio serei o teu cobertor,

Quentarei o teu corpo com meu calor

Ah, minha santa, te juro por Deus Nosso Senhor,

Nunca mais, minha morena,
Vou fugir do teu amor.

Espere por mim, morena, espere que eu chego já

O amor por você, morena, faz a saudade me apressar.